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Postado em 06 de Dezembro de 2017 às 10h51

Faseolamina, o inibidor natural de carboidrato presente no feijão-branco

Beneficios (6)

O feijão é importante fonte de proteínas, apresentando elevado teor de lisina, fibras alimentares, carboidratos complexos, minerais, como cálcio e, principalmente, ferro, além de vitaminas do complexo B. As principais frações existentes são de proteínas solúveis em soluções salinas (globulinas e albuminas), que representam, em média, 75 % do total de proteínas do feijão, desprovidas de atividade catalítica e função estrutural no tecido do cotilédone.

Os taninos do feijão possuem a capacidade de formar complexos com a faseolina in vitro, basicamente, por meio de interações hidrofóbicas, produzindo diminuição significativa na digestibilidade dessa proteína, tanto na forma nativa como na desnaturada, mesmo em concentrações elevadas de proteases.

As α-amilases são enzimas largamente distribuídas na natureza, produzidas por animais, vegetais e microrganismos com o objetivo de degradar os carboidratos para que possam ser utilizados como fonte energética. Vários compostos orgânicos estão sendo descritos como inibidores de α-amilases, e podem ser classificados em proteicos e não proteicos, tendo aplicação em várias áreas, entre elas a indústria de alimentos, o controle de pragas e como terapia para algumas doenças como o diabetes mellitus 2.

Um tipo de inibidor é a faseolamina, que é extraída do feijão comum e do feijão-branco. É uma glicoproteína que se liga à enzima α-amilase, e inibe a ingestão e a absorção de amido, diminuindo as calorias ingeridas na alimentação, sendo utilizada como complemento na dieta de perda de peso.

A inibição das enzimas α-amilases é eficaz no controle da obesidade e do diabetes mellitus não insulinodependente, pois diminui a absorção de glicose. Esta inibição induz a tolerância aos carboidratos, dá sensação de saciedade, perda de peso e prolonga o esvaziamento gástrico. Para o tratamento de pacientes com diabetes, normalmente, utiliza-se de intervenção dietética, agentes hipoglicemiantes orais e insulinoterapia.

Para aumentar as possibilidades dos diabéticos, seria importante o adicional que retardasse a absorção da glicose por meio da inibição das enzimas como a α-amilase. No caso de pacientes não insulinodependentes, um inibidor da amilase poderia influenciar a absorção de carboidratos, retardando-a, coincidindo assim com a secreção lenta da insulina endógena, prevenindo níveis excessivos de glicose no sangue. Já em pacientes insulinodependentes, o retardo da digestão dos carboidratos poderia reduzir os níveis de insulina exógenos. Para diabéticos, recomenda-se quantidades de 98 a 145 g de feijão, peso seco/dia, para melhorar o efeito metabólito e ter efeitos benéficos, em longo prazo.

Referências:

MARTÍNEZ CASTAÑEIRAS, María Paloma et al. Antinutrientes proteicos de las leguminosas: tipos, toxicidad y efectos fisiológicos. 2016.

PINTO, Jennifer Vieira et al. Propriedades físicas, químicas, nutricionais e tecnológicas de feijões (Phaseolus vulgaris L.) de diferentes grupos de cor. 2016.

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